25 de fev. de 2013

Especialistas questionam comportamento de usuários "felizes" no Facebook

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Estudos revelam que mais de um terço dos usuários da rede social enfrenta sentimentos negativos

ITAMAR MELO E MARCELO SARKIS

Neste exato momento, um amigo está curtindo férias espetaculares no Caribe, outro vive dias de paixão tórrida com a namorada nova e um terceiro comemora uma promoção no emprego. Os filhos do vizinho só tiram 10 na escola, o colega de trabalho comprou um carrão importado e o cunhado está se esbaldando no restaurante mais badalado da cidade.

Quem depara com esse mundo encantado de felicidade e conquistas chamado Facebook pode ter a sensação de que o português Fernando Pessoa (1888-1935) recém havia conferido as últimas fotos e posts de seus amigos na rede social quando escreveu os versos famosos do Poema em Linha Reta:

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

A verdade é que não falta gente vil, errônea, triste, solitária e estressada, mas se uma hecatombe destruísse o planeta e por alguma razão insondável preservasse deste princípio de milênio apenas as páginas do Facebook, os historiadores do futuro seriam forçados a concluir que desfrutamos de uma era dourada, em que todo mundo era feliz, bonito e muito festeiro. No maior dos sites de relacionamento, com mais de um bilhão de usuários, as pessoas estão usando a chance de editar suas vidas para oferecer um best of sem fim de si mesmas.

- Quando a pessoa vai para a rede, transforma-se em um personagem, com conotação positiva. O Facebook tem ferramentas que estimulam a revelar o estado atual, então o usuário acaba delirando. Como os amigos só põem coisas bonitas, a pessoa vai botar também, para ser bem avaliada e curtida. Faz parte da natureza humana essa necessidade de reconhecimento, mas cria-se um ambiente que não é real - avalia a especialista em mídias sociais Beth Saad, da Universidade de São Paulo (USP).

O problema é que quem navega por perfis feitos só de alegrias e bons momentos acaba chamuscado. Um estudo de duas universidades alemãs, divulgado em janeiro, revelou que mais de um terço dos usuários do Facebook enfrenta sentimentos negativos, como frustração, depois de visitar os perfis dos amigos. Os pesquisadores concluíram que a exposição a cenas explícitas de sucesso e lazer transformou a inveja em moeda corrente na rede social, conduzindo a um clima de insatisfação com a própria vida.

- O impacto não é porque a vida dos outros é boa, mas porque parece que é só boa. Há a impressão de que os outros têm milhares de amigos e só se divertem. Quem vê isso, pergunta: porque a minha vida não é assim? Começa uma comparação, que faz a pessoa se sentir mal, ter baixa autoestima, questionar a própria vida. O que falta é perceber que não dá para medir a felicidade do outro pelo que está na rede - observa a psicóloga Luciana Ruffo, do núcleo de pesquisa de psicologia em informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

O ambiente de felicidade geral da nação empurra muita gente a abraçar o "facembuste" para se sentir normal. Essa é uma explicação para o aparente sucesso do site www.namorofake.com.br, que já virou notícia internacional. No serviço, é possível alugar uma ficante (R$ 10 por três dias), uma ex (R$ 19 por sete dias) ou uma namorada (R$ 39 por sete dias) para chamar de sua no Facebook. Ou melhor, Fakebook, já que as namoradas são só para consumo externo.

O site diz negociar perfis reais de mulheres atraentes que, durante o período previsto em contrato comunicam ao mundo estar em um relacionamento com o cliente - e ainda postam uma quantidade pré-determinada de comentários babosos no perfil dele. Nas últimas semanas, quem acessava o site era informado de que todas as namoradas estavam ocupadas.

Hanna Krasnova, da Universidade Humboldt de Berlim

"Trata-se da espiral da inveja"
Uma entre os autores do estudo alemão que identificou sentimentos de inveja e insatisfação provocados pelo uso do Facebook, a pesquisadora Hanna Krasnova concedeu entrevista por e-mail a Zero Hora. Ela afirma que as comparações por meio de postagens no Facebook podem afetar, de forma negativa, o nível de satisfação pessoal Confira, ao lado, trechos da entrevista:

Zero Hora - Que tipo de coisa mais causa inveja nos perfis de amigos no Facebook?

Hanna Krasnova - No primeiro dos nossos estudos, realizado com mais de 300 pessoas, descobrimos que cerca de um quinto (21,3%) das situações recentes que haviam provocado inveja nos participantes, incluindo situações online ou offline, ocorreram dentro do Facebook. Os participantes relataram invejar principalmente posts de viagens e de lazer de seus amigos, seguidos de informações relacionadas com interação social. De forma geral, os temas que desencadeiam inveja estão em consonância com o tipo de dado mais publicado. Postar fotos de viagem é algo muito popular. Além disso, o Facebook permite observar de perto as relações sociais dos amigos. É fácil, por exemplo, comparar o número de curtidas e de comentários que um post nosso gera com os de outras pessoas, o que pode provocar inveja.

ZH - Essa inveja faz as pessoas mentirem nos perfis sobre o seu próprio nível de felicidade? Esse seria um motivo para a sensação de que todo mundo é feliz e perfeito no Facebook?

Hanna - Uma vez que sentir inveja é desconfortável, o invejoso vai tentar responder a isso. É aí que aprimorar a forma de se apresentar na rede surge como uma importante estratégia para lidar com o problema. Como resultado disso, os usuários podem reagir construindo um perfil mais positivo de si mesmos nos sites de relacionamento, o que, em contrapartida, causa inveja em outras pessoas. Trata-se da chamada espiral da inveja.

ZH - A frustração que as pessoas sentem quando olham o perfil dos amigos no Facebook podem ter consequências sérias em suas vidas?

Hanna - Com base em uma pesquisa em que acompanhamos mais de 200 usuários do Facebook, conseguimos estabelecer uma ligação entre a inveja despertada quando a pessoa está no Facebook e a satisfação geral com sua vida. Na verdade, o uso passivo do Facebook faz crescerem emoções desagradáveis que, por sua vez, afetam de forma negativa o nível de satisfação pessoal.

Flávio Estevam, criador do namorofake.com.br

"Ajuda a impressionar mulheres"
Desde que criou o serviço que aluga namoradas falsas para uso no Facebook, em janeiro, Flávio Estevam não tem sossego. São tantos pedidos de entrevistas, inclusive de grandes veículos estrangeiros, que o empresário de 32 anos precisou contratar uma assessoria de imprensa para organizar a agenda. Morador de Campo Grande (MS), ele conversou com ZH por telefone:

Zero Hora - Como surgiu a ideia de criar o aluguel de namoradas falsas?

Flávio Estevam - Eu estava acompanhando um amigo próximo passar pelo fim de um relacionamento. No Facebook da ex dele, começaram a aparecer muitos comentários e fotos dela se divertindo com outras pessoas. Meu amigo queria fazer o mesmo, para deixá-la com ciúmes. Passou a postar coisas sobre uma namorada inventada, mas como ela não existia, não tinha nada para mostrar. Foi nisso que eu tive a ideia de um serviço que oferecesse um rostinho e um perfil para resolver o problema.

ZH - Qual a motivação de quem aluga uma namorada fake virtual?

Estevam - As razões principais do usuário são se tornar mais popular ou provocar ciúme na ex ou em alguém em quem ele está interessado. O serviço ajuda a ter status de pegador e a impressionar as mulheres.

ZH - A necessidade das pessoas de mostrar no Facebook que são felizes e estão curtindo demais a vida colabora para o interesse?

Estevam - Com certeza. A gente sabe que as pessoas sempre postam coisas que não estão acontecendo. O cara coloca uma foto antiga na balada, no meio de gente bonita, mas é mentira, na verdade ele está em casa na maior deprê. Isso é muito comum. Com nosso serviço, encontramos uma forma de tornar a mentira convincente.

ZH - O serviço tem quantos usuários?

Estevam - Não posso informar isso. Está sempre mudando. Existe uma fila grande de usuários aguardando. Temos também mais de 2 mil candidatas a namorada fake à espera de análise do perfil.

ZH - Quando contrata uma namorada fake, o usuário paga para que ela faça um determinado número de comentários. Como isso funciona?

Estevam - Os comentários são escritos pelo cliente. Ele os envia para a namorada falsa postar.

Fonte: Zero Hora
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18 de fev. de 2013

Entrevista com Julian Assange em 2010 sobre a importância do Wikileaks

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Chris Anderson: Bem vindo, Julian Foi divulgado que o WikiLeaks, seu bebê, divulgou... nos últimos anos divulgou mais documentos sigilosos do que o resto de toda a mídia do mundo junta. Isso pode ser verdade?

Julian Assange: É, isso pode ser verdade? É uma preocupação -- não é? -- Que o resto da mídia do mundo esteja fazendo um trabalho tão ruim que um grupinho de ativistasconsegue publicar mais informações desse tipo do que o resto da imprensa mundial junta.

CA: Como isso funciona? Como as pessoas divulgam os documentos? E como você garante a privacidade delas?

JA: Acontece que eles são -- ao que sabemos -- informantes clássicos. E temos uma variedade de maneiras para que eles possam fornecer informações para nós. Então usamos criptografia de última geração para fazer as coisas pularem pela internet, para esconder as trilhas, fazer que elas atravessem as jurisdições legais como a Suécia e a Bélgica para legalizar essas proteções legais. Recebemos informações por correio, o correio normal.

Fontes:

Vimeo

TED
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23 de jan. de 2013

"Internet Está Fora De Controle", Afirma Criador Da Rede

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Em entrevista ao G1, Vinton Cerf alerta que dados colocados na web são "inapagáveis", criando desafios para preservação da privacidade.
Hoje, o uso da internet não é passível de controle e é impossível manter a privacidade depois que alguém coloca informações na rede -- uma vez lá, ela nunca mais sai, por mais que o internauta insista em apagá-la. O diagnóstico é de ninguém menos que Vinton Cerf, 63, o vice-presidente do Google, que também ostenta o estranho cargo de Diretor Evangelista da empresa, e é conhecido como pai da internet.
"Os jovens são muito abertos à idéia de dividir suas informações on-line", disse Cerf em entrevista ao G1. "Conforme eles forem ficando mais velhos, podem se arrepender de ter colocado algumas informações e seus pensamentos jovens na internet. E esses dados podem nunca mais desaparecer, mesmo se forem retirados dos sites originais.” 

O norte-americano recebeu o título não-oficial de “pai da internet” por ter participado da criação do protocolo TCP/IP, que possibilita a conexão entre computadores. Cerf também é conhecido por defender a criação de uma internet interplanetária até 2010. Em projeto realizado junto ao Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, ele trabalha para padronizar protocolos utilizados na comunicação espacial -- isso possibilitaria que as pessoas na Terra recebessem dados de veículos espaciais, como aqueles que exploram Marte.

Bem-humorado, Cerf afirma ser apenas um dos pais da internet. “Os projetos de sucesso têm muitos pais, enquanto aqueles que fracassam ficam órfãos”, brinca o especialista que também participa da diretoria da Corporação da Internet para Nomes e Números Designados (Icann, na sigla em inglês). Em seu currículo constam a Medalha Nacional de Tecnologia (concedida em dezembro de 1997 pelo presidente Bill Clinton), um prêmio ACM Alan M. Turing (considerado o “Nobel da Ciência da Computação”, recebido em 2004) e uma Medalha Presidencial da Liberdade (concedida em 2005, pelo presidente George W. Bush).
A seguir, trechos da conversa que Cerf teve com o G1 em São Paulo, onde participou na semana passada do evento Icann Meeting, organizado pelo Comitê Gestor da Internet.

G1 – O senhor é o Diretor Evangelista de Internet do Google, provavelmente a única pessoa a ter esse cargo. Pode definir exatamente o que faz?

Vinton Cerf - Quanto tempo você tem (risos)? Esse é um título que o Sergey Brin e Larry Page [fundadores do Google] inventaram e acabou pegando. Eles me perguntaram que título eu queria e disse que gostava de “arquiduque”, mas então alguém me lembrou que o último arquiduque foi assassinado na Primeira Guerra Mundial (risos). No Google, eu tenho a missão de continuar aquilo que venho fazendo nos últimos 30 anos: falo sobre a construção da internet e incentivo as pessoas a usá-la. Por isso, ganhei o cargo de evangelista. Passo muito tempo conversando com empresas que têm tecnologias interessantes, visito centros de Pesquisa e Desenvolvimento do Google e também vou a universidades para recrutar engenheiros e cientistas da computação. É uma variedade muito grande de atividades que me mantêm viajando cerca de 85% do meu tempo. Nunca estou em casa, nem no escritório. 

G1 – E não é cansativo falar tanto sobre um mesmo assunto? 

Cerf -- Não, porque a internet está sempre mudando. Há sempre novas aplicações, novas idéias, novos modelos de negócio. Gosto muito de falar sobre o assunto, porque nunca é a mesma coisa, há sempre algo novo e fresco. O fato de ter um bilhão de pessoas conectadas à rede indica que um bilhão de pessoas podem ter idéias, elas estão livres para fazer isso sem pedir autorização. 

G1 – O senhor consegue acompanhar tantas mudanças?

Cerf -- A internet está mais dinâmica agora e fica mais difícil de acompanhar. São muitas aplicações, softwares... as pessoas sempre inventam coisas novas. No início, os textos e imagens eram estáticos. Agora, quando entramos em uma página, nosso navegador é convidado a puxar um software. De repente, seu computador está fazendo algo que não sabia como fazer antes, porque baixou um software. Isso pode ser bom, mas também é ruim. Pessoas mal-intencionadas podem induzir os computadores dos internautas a fazer coisas ruins, como apagar informações do disco rígido ou atacar sites. Isso preocupa, porque muitas pessoas abusam de sua capacidade de controlar um grande número de computadores para fazer coisas desse tipo. Para encontrarmos o equilíbrio em um ambiente tão aberto, temos de construir melhores aplicações e melhores sistemas operacionais, que não sejam dominados tão facilmente. Além disso, podemos desenvolver defesas contra esse tipo de abuso e punir as pessoas que cometem esses crimes, com multas e detenções.

G1 -- Falando ainda sobre o aspecto negativo, o que o senhor não gosta na internet? O senhor criou uma ferramenta bastante útil, mas....

Cerf -- ... mas as pessoas também a utilizam para fazer o mal. O spam [mensagens não-solicitadas] é muito irritante. E, em alguns casos, ele consome recursos caros, principalmente daquelas pessoas que ainda pagam por minuto para acessar a internet. Os ataques de negação de serviço [com os quais computadores controlados remotamente tiram sites do ar], por sua vez, são cruéis. E os problemas encontrados na internet mudaram. Antes eram jovens que queriam mostrar o que podiam fazer, modificavam o conteúdo de sites, mostravam caras feias nas páginas invadidas. Hoje há pessoas que são pagas para interceptar a comunicação de outras. Empresas tentam roubar informações de seus concorrentes, há a violação dos direitos autorais, difamação, esse tipo de coisa. Não estou feliz com isso, mas reconheço que é muito difícil controlar esses problemas se quisermos manter um ambiente tão livre. Temos de aprender a lidar com esses desafios, mas a solução não é simplesmente acabar com a rede. É necessário identificar aqueles que destroem e também construir defesas.

G1 -- E o que realmente funciona na internet, aquilo que lhe deixa orgulhoso?

Cerf -- Podemos comparar o que fiz com a construção de um grande sistema rodoviário. Eu não desenvolvi os carros. Outras pessoas fizeram isso e, conforme seguiram as regras desse sistema rodoviário, foram criando novos serviços: o posto de gasolina, a loja de conveniência. Levando isso para o mundo da internet, minha estrada ajudou a construir um sistema de transportes, padronizá-lo e convencer as pessoas de que deveriam usá-lo. Fico orgulhoso em saber que esse é um fenômeno mundial e acessível para um número muito grande de pessoas.

G1 -- Mas conforme esse sistema cresce, aumenta a necessidade da seleção do conteúdo... 

Cerf -- Com a World Wide Web, Tim Berners-Lee [desenvolvedor da web que conhecemos hoje] criou uma avalanche de informações na rede de computadores. Muitas delas são realmente úteis, enquanto outras não valem nada. No entanto, fico feliz quando realizo uma busca e consigo encontrar aquilo que procuro. Ainda fico surpreso quando acho algo em particular e vejo que alguém se deu ao trabalho de colocar aquela informação na internet. A Wikipedia é um bom exemplo disso, apesar de eles terem criado uma ferramenta para moderar conteúdo, porque as pessoas mudavam dados dos quais discordavam. A quantidade de informação que está sendo trocada na internet é absurdamente benéfica.

G1 -- Falando em colaboração, gostaria que o senhor comentasse o fenômeno das redes sociais, como MySpace e Orkut, que mantêm uma quantidade enorme de pessoas conectadas.

Cerf -- É um fenômeno muito interessante, que representa o que a internet tem de melhor: reunir as pessoas em grupo para elas dividirem os interesses que têm em comum. Sites como o MySpace e o Facebook são desenvolvidos para que os usuários compartilhem informações sobre elas mesmas, seus interesses ou o que elas vêm fazendo. Mas esse tipo de cultura tem um futuro imprevisível, porque os jovens de hoje são muito abertos à idéia de trocar informações. Conforme eles forem ficando mais velhos, podem se arrepender de ter colocado seus pensamentos jovens na internet. E esses dados podem nunca mais desaparecer, mesmo se forem retirados dos sites originais. Pode ser um problema de geração, e os jovens provavelmente vão aprender que deveriam pensar com mais cuidado sobre o que tornam público. Futuramente, as pessoas vão perceber que deveriam ter guardado certas informações para elas. Elas não pensam no fato de que, quando algo está no computador, pode ser reproduzido e distribuído. Conforme o tempo for passando, as pessoas vão aprender a lidar com os efeitos colaterais do uso da internet.

G1 – Um estudo recente mostra que 43% dos internautas ligados a redes sociais consideram seus contatosvirtuais tão importantes quanto os reais. O que o senhor acha disso?

Cerf -- Bom, eles são pessoas reais de todo jeito (risos). O fato de você interagir com pessoas no universo virtual não significa que elas não sejam reais. Mesmo nos jogos de RPG on-line [nos quais usuários controlam personagens que interagem], trata-se de pessoas reais atrás de avatares. Existe uma  preocupação procedente de que as pessoas podem se envolver tanto com o ambiente virtual que prefiram esta alternativa ao mundo real. Mas estamos falando dos extremos. No geral, não vejo esses jogos on-line como mais perigosos do que os de tabuleiro ou brincadeiras em que as crianças se vestem com as roupas dos pais.

G1 -- A última pergunta, porque não há como fugir dela: qual será o futuro da internet?

Cerf -- Mais mobilidade, mais banda larga e vamos sair do planeta, construindo uma rede interplanetária.  .

Fonte: G1
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20 de mai. de 2009

Em entrevista para o Infoworld, Gates fala do futuro da Microsoft e como os blogs de desenvolvedores ajudam a melhorar os softwares.

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Por Jon Udell - InfoWorld, EUA
Publicada em 15 de setembro de 2005 às 18h09


Após uma manhã inteira na Conferência para Desenvolvedores Profissionais (PDC, em inglês) da Microsoft demonstrando as características da nova linha de produtos que a companhia vem desenvolvendo, incluindo aí a suíte de aplicativos Office 12 e o sistema operacional Windows Vista, Bill Gates sentou com o analista da InfoWorld Jon Udell para uma conversa sobre o futuro próximo da computação com o lançamento desses produtos.

Quer ouvir a íntegra da entrevista (em inglês)? Clique aqui.

O IDG Now! selecionou os melhores trechos da entrevista. Leia:

InfoWorld: Outro dia estava tomando café da manhã com um colega da Suécia e perguntei a ele algumas de suas impressões sobre o desenvolvimento dos próximos lançamentos da Microsoft, e a mais interessante foi a de como há transparência, o enfoque em blogs, e como ele sentiu que agora há uma via de comunicação em dois sentidos, criando uma sensação nele de que as impressões de programadores que participaram dos testes de desenvolvimento foram finalmente ouvidas. Pensei que ia gostar de ouvir isso.

Bill Gates: Isso é fascinante. Estávamos falando ontem à noite sobre isso - nossa, eles nos fizeram mudar os nossos planos. Mesmo tendo baixos níveis de granularidade, a [interface gráfica] Avalon passou por uma reforma, uma grande mudança para algo relacionado ao desempenho e que passou por isso por causa de pedidos externos. Também o plano do Internet Explorer não seguiu original até o final, pois ele não possuía a plataforma RSS integrada. Tivemos feedback nisso.

É um ambiente bem dinâmico. E estou feliz de ver que as pessoas ainda querem vir a eventos cara-a-cara como esse. Quero dizer que, sim, há momentos que você pode fazer isso tudo eletronicamente, chegar a outras pessoas, mas nossos desenvolvedores que sentam nessas sessões terão uma impressão mais forte do que deverão fazer, como irão fazer, tudo por causa desse cara-a-cara, que mesmo as melhores ferramentas atuais não conseguem fornecer.

IW: Agora em termos de balanceamento, você pode esclarecer - para rodar o Office 12 será preciso ter o Windows Vista ou...

Gates: Não. Não.

IW: Será necessário somente o .NET Framework 2.0, é esse o caso?

Gates: Sim, o Office 12 é compatível com versões anteriores de sistemas operacionais. De fato, há diversas diferenças, como o sistema de busca que é mais integrado, a nova disposição das coisas. Ao usar o Office 12 no Vista, a suíte será bem melhor. Esperamos que vários usuários corporativos atualizem os seus sistemas para fazerem melhor os seus trabalhos. Mas você pode comprar o Office 12 e rodar no Windows XP, sem problemas.

IW: Mas isso é interessante, porque nunca vi um programador que não gostasse do Framework depois que tivessem instalado, mas sempre lamentaram da relativa falta de onipresença, até hoje, desses bits. E a questão tem sido, você sabe - o que é que levará o Framework a todo mundo? Parece que talvez seja o Office 12, mais do que qualquer coisa. É isso?

Gates: Certo. Esse será uma das coisas, como o Vista, o Office 12, diversos programas. E você vê, o tamanho do download [22,9 MB] está ficando mais aceitável, e vemos cada vez mais instalações. Mas você está certo, temos que conduzi-lo adiante. Chega uma hora que isso vira senso comum. Ainda não estamos exatamente lá.

IW: O sistema de RSS foi tecido depois de um monte de idéias que vocês mostraram e que outras pessoas também ofereceram, o que eu acho um belo exemplo de troca de conhecimento XML - o que eu acho também que é intencional. Acredito que vocês estejam sentindo isso emergindo - é o que eu chamo da rede de dados RSS - e será um grande estouro.

Gates: Absolutamente. E a rede de dados RSS é uma evolução natural surgida da aceitação do XML, é a infra-estrutura de notificação para o XML. Temos algumas idéias internas de como fazer com que o RSS trabalhe em uma via de dois sentidos.

O fato é que agora as coisas ainda estão meio caóticas, mas está OK. Há o Atom, há outros diferentes formatos que precisam ser reformatados, mas a plataforma RSS tenta esconder tudo isso.

E há muitos outros problemas que precisam ser resolvidos além do RSS. É uma dessas coisas legais em que você vê a experiência do usuário melhorando. É muito rico o que está acontecendo agora.

O problema do mecanismo de notificação é: no que eu devo prestar atenção agora? Será que é no e-mail que acabou de chegar? Na ligação telefônica? No lance de leilão que devemos fazer? Na verdade esse é um problema profundo de interface para o usuário, e veja, fazer com que todas essas coisas entendam o seu contexto e prioridade, bem como quem está dizendo que elas são urgentes. E então você vai ao seu PC e tudo está organizado para você - primeiro preste atenção nisso, depois naquilo. Esse é o Santo Graal para o qual as tecnologias estão a serviço.

IW: Enquanto você mostrava uma versão mais leve do Windows Presentation Foundation/Everywhere (WPF/E), algumas pessoas comentaram espontaneamente na platéia: "o competidor do Flash". Você acha que é uma observação válida? E você acha que esse é um potencial veículo para levar a interface Avalon não só para outros aparelhos mas também desktops que não usem Windows? Estender o alcance do Avalon dessa maneira?

Gates: De um ponto de vista tecnológico, o Windows Presentation Foundation/Everywhere envolve bastante o que o Flash faz. Mas não acho que alguém faça dinheiro vendendo uma estrutura de apresentações leve que nem essa para gadgets e telefones celulares. Manteremos esse software gratuito, penetrante. Certamente veremos uma série de aparelhos com Flash e também com o WPF/E - que nossa equipe disse que irá renomear, mas por enquanto esse é o melhor que puderam fazer. Então teremos diversos aparelhos equipados com ambos os softwares, sem que haja conflito.

IW: Até agora o WPF/E é um software para portáteis, mas há alguma estratégia de levar aplicações XAML que nem essa para um desktop Mac ou Linux? Há um cenário possível?

Gates: O Mac é um dos nossos alvos explícitos, então sim. Mas não é 100% XAML, precisamos ser claros quanto a isso. Mas a porção de XAML presente nesse software estará presente em todo lugar. Absolutamente em todo lugar. E tem que estar. Mas como usuário, você nem vai perceber se o que está vendo é WPF/E, ou Flash, ou qualquer outra coisa. Apenas funciona.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/computacao_corporativa/2005/09/15/idgnoticia.2006-03-12.6603179663/
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17 de mai. de 2009

Internet pela rede elétrica ganha impulso no Brasil

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Por Taís Fuoco da Folha

SÃO PAULO (Reuters) - A transmissão de banda larga pela rede elétrica, que é testada e estudada no país há anos, ganhou um impulso importante nesta semana, depois que o conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a criação de uma consulta pública sobre o assunto.



Ainda não há data para que a consulta pública seja realizada, mas esse é o primeiro passo para que o Brasil tenha uma regulamentação para essa nova modalidade de conexão, que usa a infra-estrutura de redes elétricas em conexões que podem chegar a 200 Megabits por segundo (Mbps). Hoje, a velocidade mais alta disponível no país não passa de 30 Mbps.


Pedro Luiz de Oliveira Jatobá, presidente da Associação de Empresas Proprietárias de Infra-Estrutura e Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), defende a adoção da tecnologia Power Line Communication (PLC) no Brasil há anos e comanda testes que a entidade realiza em locais de baixa renda.


Agora, ele afirma, em entrevista à Reuters, já ter "uma expectativa concreta" de que o sistema se massifique no Brasil em cerca de um ano.


De acordo com o executivo, que também atua na Eletrobras, "há vários grupos interessados com investimentos previstos só aguardando essa regulamentação".

Jatobá afirmou estar acompanhando de perto o desenrolar do assunto na Anatel e lembra que, no caso da conexão conhecida como "indoor" --só dentro de um determinado ambiente-- já existem exemplos de uso em hotéis e edifícios comerciais porque essa modalidade não depende de regras da agência.



"Agora isso poderá se massificar nas residências", acredita o executivo, já que a popularização pode baratear os custos dos equipamentos e se tornar uma opção a mais de conexão.


O presidente da Aptel prevê a união entre as operadoras de telefonia e as concessionárias de energia elétrica para levar essa nova opção aos clientes. "Eu acredito no modelo das parcerias", afirmou.


Ele lembra que "está aumentando muito a demanda das elétricas por recursos de telecomunicações" para a instalação de medidores eletrônicos e sistemas de acompanhamento remoto do consumo de energia nas casas.


Tal demanda poderá aproximar os dois grupos de empresas, na avaliação de Jatobá, já que as teles e os provedores de Internet podem ter na infra-estrutura elétrica uma forma de ampliar seu escopo de atuação. "Vai haver uma convergência natural das redes", espera.


Jatobá também informou que a japonesa Panasonic está participando dos testes de banda larga pela rede elétrica que a Aptel realiza em Barreirinhas (MA) e que, além de modems, fabrica para outros países equipamentos com a tecnologia PLC embutida, como televisores, câmeras de vigilância e sistemas de portão eletrônico.


Em Barreirinhas, o PLC é usado como canal de retorno da TV digital, o que garante a interatividade imaginada pelo governo nesse novo sistema de TV. "Nossa intenção é que isso aconteça também em outras localidades", afirmou.


O bairro Restinga, na periferia de Porto Alegre (RS), também vive um teste da tecnologia para conexões de locais públicos, como postos de saúde e escolas.

A tecnologia permite conexões em até 200 Mbps e, nos testes já realizados até agora, a Aptel conseguiu, "em condições normais", 60 a 70 Mbps. Jatobá explica, entretanto, que "várias medidas podem melhorar o desempenho da rede" e elevar a velocidade possível, como a segregação de circuitos.


Ainda não é possível mensurar o preço ao usuário final, segundo ele, porque isso vai depender "do mercado e do tipo de aplicação" que vai se dar a essa modalidade de conexão.

Fonte:http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/reuters/2008/08/22/ult3949u4328.jhtm
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